domingo, 19 de junho de 2011

ENTRE OS DRIBLES DO FUTEBOL, AMOR E ARTE



Raça, dedicação e uma paixão incondicional: futebol.  Sentimento que rege o corpo e a alma de muitos brasileiros, aliás, movimento que caracteriza e molda a identidade de “ser brasileiro” aqui e principalmente fora do Brasil. Sempre há alguém na família que torce por um time, ou que conhece alguém no trabalho, escola, faculdade que carrega uma bandeira, não há alguém que não se comova e torça diante a TV, rádio em uma final da Copa do Mundo. É evidente, não tem como negar somos brasileiros, somos um pouquinho de futebol. Entretanto, até que ponto esse “amor” pode ser saudável? 


Como toda relação que nos envolva absolutamente é difícil, a relação com o futebol não vai ser diferente. Ainda mais quando envolve uma pluralidade distinta de amantes e de “times amados”.  Cada vez mais vem tornando-se notável o aumento de confusões e atos de violência em meios a essa relação de amor-arte-futebol. Os estádios vêm sendo tomados não apenas por torcedores, estão lá presentes e em peso a cavalaria militar, camburões e soldados, preenchendo um cenário que deveria ser de lazer e não de guerra.

É lastimável, e mais ainda quando não precisamos ir muito longe para perceber e avaliar isso.  Na nossa cidade e principalmente se formos a capital de nosso estado Curitiba, já podemos perceber o quão grande é esse problema. A violência tomou um patamar mais elevado. Ela encontra-se não apenas entre a rivalidade das torcidas organizadas no estágio, como também, nos meios públicos. Temos medo de ir ao estágio em um clássico, é perigoso pegar um ônibus, circular entre os terminais em horários pré e pós jogos. Não é seguro circularmos sozinho com a camiseta de nosso time. 


Falar de violência não é nada fácil, é penoso e pesado, embora não podemos banalizar este feito de tamanha preocupação. Usar de um meio de lazer, prazer como veículo de marginalização que põem em risco a segurança pública, agride os bens comuns a todos e ridiculariza a imagem da cidade não se deve deixar de lado.   
A muito o futebol já foi pensado como arte, como meio de extravasar nossa mente, de transformar pessoas, de esboçar exemplos de vida, de sonhos que servem de espelho à população. Infelizmente, como demonstra os noticiários e a história o ato de excitação e prazer do jogo vai muito além de carregar o time no peito e voz. Vários são as possíveis explicações a esse fato: a mídia, os governantes, os diretores dos clubes, da torcida, e principalmente o nosso meio.


 Vivenciamos em uma sociedade que ainda nos priva e reprime de vastas emoções, onde apreendemos a deixar de pensar coletivamente. E é através da torcida que temos a possibilidade de demonstrar a nossa identidade e começamos a manifestar e agir de maneira que não faria isoladamente, colocando para fora todo sentimento de impotência e frustração pessoal, que diluíssem no coletivo das arquibancadas. Ocasionando brigas não somente entre times rivais, mas dentro da própria torcida, do próprio time.  Um exemplo, poder-se-ia a manifestação de revolta dos torcedores do Coritiba Futebol Clube em 2009 que após a derrota e queda para a 2ª divisão entram em campo destroem e atacam a própria entidade “amada”. Discussões e brigas até mesmo entre as torcidas organizadas do mesmo time, como a que ocorreu entre Ultras e Fanáticos, torcidas do Clube Atlético Paranaense, em um bar. Emboscadas com trocas de bombas, foguetes e pancadaria em terminais. Infelizmente exemplos não faltam. Quem são esses “torcedores” que causam danos, medo e violência? È realmente pelo amor ao time que encandeciam tanto caos? Merecem mesmo o titulo de torcedor? NÃO! Esses são pessoas individualizadas, do ponto de vista da formação de uma consciência social e coletiva, de uma consciência esportiva e afetiva. Apropriam-se de um ato coletivo para promover o caos e a marginalização.
O verdadeiro torcedor não elabora armas e planos de violência para torcer, não estraga e impõe sua força em outros meios, sua força está no seu estágio, no seu templo, na multiplicidade das arquibancadas. Essas com torcedores miscigenados, homens, mulheres, jovens, crianças, pobres, ricos, amarelos, pretos, brancos, que demonstram sua arte, cantam, pintam, choram e riem junto ao time. Acompanham- o faça chuva, faça sol, seja no rádio, TV, estádio. Festejam os gols, choram nas derrotas. Perdem-se e encontram-se a cada partida.  Fazem do coletivo um só, amor-arte-futebol!
                                                                                                                                                                     Jaque N.



Texto elaborado na aula de língua portuguesa III da professora Bernadete Ryba, sobre o tema: A violência das torcidas de times de futebol.


Um comentário:

  1. aain sou meio leiga aos assuntos futebolísticos, mas tem coisas que me indignam..

    ResponderExcluir